Mônica Cristina Landim

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Arquivo por 11/2008

Contos do Coração – 1

Categoria: Contos do Coração|

 

 

 Num lugar não muito distante, um reino de “fagulhas coloridas” – lá pequenas luzes coloridas brincavam de ir prá lá e prá cá, dia e noite, noite e dia (embora não conhecessem nem o dia, nem a noite)…
Ir e vir era sua diversão. Assim, apareciam e desapareciam num lapso de segundo, criando um local que parecia mágico, tal a quantidade de luzes brilhantes que pulsavam ali.
Crianças diriam: “Ei!!! Estão a brincar de pega-pega. Veja só aquelas ali…”
Outras contestariam: “Que nada!!! Não vês??? Brincam é de esconde-esconde… Brilha aqui, some acolá…”
A bem da verdade, lá nesse reino não tinha nem criança, nem adulto para dar palpite.
Só luzes, microluzes, fagulhas que cintilavam e desapareciam como que por encanto. Mas eram tantas, que o lugar, apesar de escuro, estava repleto de VIDA. Era tão agradável estar ali. A felicidade era tanta, que bastava estar ali para senti-la. E quem lá já esteve, bem sabe, que a sensação de infinitude, de totalidade e êxtase, é tanta, que quando se chega lá, a gente esquece que tem corpo, cabeça, pernas, braços, mãos e pés…
É como se fôssemos simplesmente energia pulsante. Num vem e vai infinito.


Quando contei este sonho para o grande sábio, ele riu aquele riso silencioso que só os sábios sabem rir e revelou-me calma e sabiamente:
- Isso não foi um sonho… Foi um presente!!!  Você visitou a nascente do mundo. Onde brotam as energias que dão forma às estrelas, galáxias, átomos, planetas, grãos de areia. Tudo é composto por estas fagulhas brilhantes. Tudo mesmo!!! Contudo, o ser humano, desaprendeu a vê-las e apreciá-las. Está tão entorpecido em seu mundo de descobertas científicas, produtos tecnológicos e industriais, que perdeu contato com as coisas simples e puras da VIDA.
Isolou-se.
Em todo ser humano as fagulhas cintilantes ainda fazem seu trabalho. Em todo coração vivente há luzes que brilham e lhe dão forma, entusiasmo e força vital. Força que os humanos chamaram de AMOR.
É o AMOR que faz com que as fagulhas cintilantes queiram agrupar-se e brincar de criar e transformar. Assim, fazem gente, coração, borboleta, peixes, lagos, pedras, terra, plantas, flores animais bravos e mansos, ligeiros e lentos, coloridos, peludos, lisos e escamosos…
Brincando de transformar as fagulhas cintilantes rastejam com a lagarta e voam com a borboleta.
Percebendo que eu prestava total atenção em suas palavras, o sábio prosseguiu:
- Para sempre celebrar a VIDA e suas cores, tentando fazer com que os seres humanos não se esquecessem de seu brilho multicor, as fagulhas luminosas, criaram uma ponte que liga os céus à Terra, e combinaram que de tempos em tempos apareceriam para todos que quisessem vê-la. Pois mesmo aqueles que já não vêem mais as fagulhas que piscam no céu, mesmo aqueles que já saíram de sintonia e não enxergam os vórtices energéticos que mantém a integridade dos corpos celestiais (dos mais pequeninos, aos mais gigantescos).
E até aqueles que pararam de admirar as estrelas, ainda são capazes de ver o Arco-Íris.

Lá está ele… Brilhante e sutil. Lembrando que as cores estão aí celebrando a multiplicidade da VIDA.
E até que todo ser humano recobre o Dom da Visão, lá estarão as fagulhas nos lembrando que como disse o Pequeno Príncipe, muitas vezes o essencial é invisível para os olhos e só perceptível ao coração.
 
 
Mônica Cristina Landim
Esta história nasceu durante um exercício de uma das aulas do curso: “A Arte de Contar Histórias” no dia  07-11-2008 na UMAPAZ - SP e a registro aqui como uma homenagem a todos os CONTADORES e CONTADORAS DE HISTÓRIAS, que desde os mais remotos tempos têm iluminado os corações humanos; com um especial agradecimento à Alessandra Giordano que além de contar histórias de uma forma muito especial, tem ensinado muitas outras pessoas a trilharem esta jornada, mostrando-nos que as histórias são um recurso arterapêutico de transformação e cura.

 


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